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LEVANTAMENTO REALIZADO PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA (SBD) REVELA COMO ESTÁ A PELE DOS BRASILEIROS A acne é a grande motivação da procura pelo dermatologista em consultórios particulares e serviços públicos. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promoveu um estudo inédito no país - o Censo Dermatológico da SBD, que apontou as doenças mais prevalentes da especialidade: acne, micoses superficiais, transtornos da pigmentação, ceratose actínica e dermatites de contato. O levantamento foi realizado em hospitais públicos e consultórios privados, analisando os dados de 54.519 pacientes. Coordenado pelo Dr. Gerson Penna, vice-presidente da SBD, o objetivo do trabalho é contribuir para a formulação de políticas de saúde no país. “É necessário que as sociedades médicas aportem informações que mostrem quais são as doenças que devem ter prioridade no planejamento de políticas de saúde, distribuição de medicamentos e campanhas de prevenção”, afirma. Os números confirmam que as mulheres se cuidam mais do que os homens: 66,5% dos pacientes que consultam um dermatologista são do sexo feminino. Além disso, evidencia a segmentação por classe social daqueles que recorrem aos hospitais públicos: 66,2% dos pacientes são analfabetos ou têm até o primeiro grau completo. Já em consultórios particulares, 39,4% estão no terceiro grau ou têm pós-graduação. O grande problema para 14% dos pacientes que procuram o dermatologista é a acne. Com as mudanças hormonais em plena ebulição, ela é praticamente inevitável para a grande maioria dos adolescentes. A faixa etária entre 15 e 25 anos concentra os pacientes que mais sofrem com a doença, que pode deixar marcas e cicatrizes na pele para o resto da vida, causando danos emocionais que podem provocar o absenteísmo escolar e prejudicar o desenvolvimento do aluno. Em seguida estão as micoses superficiais, causadas por fungos, que atingem 8,8% da população pesquisada. Entre elas estão: a pitiríase versicolor, manchas geralmente brancas que se localizam no pescoço e tronco, e se desenvolvem no início da adolescência; a tinea pedis, também conhecida como frieira; e as micoses das unhas, que são mais comuns nas unhas dos pés. As micoses superficiais são mais freqüentes no clima quente e úmido, por isso é aconselhável manter a pele sempre seca e evitar a umidade excessiva. Em terceiro lugar estão os transtornos da pigmentação, como cloasmas (ou melasmas), que correspondem a 8,4% dos atendimentos dermatológicos. Muito comum entre as mulheres (92,1%), são as manchas escuras que surgem na pele, geralmente devido à exposição solar, ao uso contínuo de pílulas anticoncepcionais ou às alterações hormonais causadas pela gravidez. O excesso de exposição ao sol é responsável também pelas ceratoses actínicas, que está em 4º lugar entre as doenças mais prevalentes do Censo Dermatológico da SBD. Fruto do acúmulo de radiação ultravioleta na pele, as ceratoses actínicas são lesões pré-malignas que podem resultar em um câncer de pele. A manifestação da doença ocorre, principalmente, na idade adulta: na faixa etária de 40 a 64 anos, ocupa o terceiro lugar na prevalência; já acima dos 65 anos aparece como a doença mais comum entre a população estudada, seguido pelo carcinoma basocelular, que é o câncer mais comum entre os tumores de pele. Nesta faixa etária destaca-se em sexto lugar a prevalência do carcinoma espinocelular, um perigoso câncer de pele, de caráter invasivo e com poder de provocar metástases. Sua freqüência é em torno de 15% entre as neoplasias de pele malignas, e ocorre principalmente em pessoas de pele clara que sofreram muita exposição solar. As dermatites de contato ocupam o 5º lugar na prevalência das doenças de pele, que se dividem em irritativas ou alérgicas. A dermatite de contato irritativa é causada por substâncias muito ácidas ou alcalinas, como sabões, detergentes, tintas ou shampoos. Já na alérgica, o agente mais comum é o níquel, presente em bijuterias, corantes, fivelas, relógios e vários outros metais. Também são comuns as alergias a produtos da borracha, corantes, cosméticos, produtos tópicos etc. O Censo Dermatológico da SBD mostrou também a diferença entre os atendimentos realizados nos setores público e privado. Nos hospitais públicos as doenças crônicas têm grande impacto: psoríase e hanseníase ocupam a 4ª e 6ª posição, respectivamente. Em consultórios, a psoríase cai para a 16ª posição, e a hanseníase não figura no ranking das 25 doenças mais prevalentes, que já agregam 81,6% do total de diagnósticos em consultórios particulares. O estudo aponta que a hanseníase é uma doença tratada majoritariamente em serviços públicos, que recebem cerca de 90% desses pacientes. Já a psoríase mostra-se também mais prevalente em homens, atingindo 3,5% dos examinados, contra 2% de casos em pacientes do sexo feminino. No entanto, outro problema mais associado aos homens, a queda de cabelo, parece preocupar mais as mulheres. Ela figura em 9º lugar entre os diagnósticos do sexo feminino. A alopecia não-cicatricial que afeta as mulheres pode se dar no período pós-parto, após regime de emagrecimento, por deficiência de proteínas, ferro ou zinco, em períodos de tensão causados por doença crônica ou até mesmo devido ao uso de anticoncepcionais. Nos homens, o diagnóstico de alopecia androgenética – conhecida popularmente como calvície, na parte superior e frontal da cabeça e desencadeada por fatores genéticos – está presente em 2,3% dos atendimentos, ocupando a 12ª posição entre os diagnósticos mais freqüentes deles. Agrupando os 54.519 pacientes examinados por faixa etária, são mais freqüentes entre os idosos, acima de 65 anos, a ceratose actínica (17%), carcinoma basocelular (9,5%) e micoses superficiais (8,4%). No grupo entre 40 e 64 anos, os problemas que motivam a busca por um dermatologista são outros: transtornos da pigmentação (11,5%), micoses superficiais (10,8%) e ceratose actínica (8,7%). Na faixa de 15 a 39 anos, a acne passa a ocupar a primeira posição, com 26,5% dos diagnósticos. Já na faixa dos mais novos, até os 14 anos, começam a aparecer as doenças comuns à infância: quase tão predominante quanto a acne (14%) está a dermatite atópica (13,7%), e em terceiro lugar as verrugas virais (8,3%). Questão de saúde pública – Os dados do Censo Dermatológico da SBD evidenciaram no setor público a prevalência de 4% de hanseníase, 0,4% de DST, 6% de câncer de pele, 0,2% de Leishmaniose Tegumentar Americana. Todas estas doenças constituem-se em Programas de Saúde Pública do Ministério da Saúde, que pode utilizar estes dados para, de acordo com a distribuição de pacientes nos estados, facilitar os processos de organização de serviços de saúde, como a aquisição de insumos necessários ao diagnóstico e tratamento dessas doenças. É importante salientar que a Leishmaniose Tegumentar Americana aparece em baixa freqüência devido ao fato da pesquisa ter sido realizada fora da estação onde a doença é mais frequente, em época de chuvas. O Censo Dermatológico da SBD foi desenvolvido na semana de22 a 26 de maio de 2006, com a participação de 916 associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Desses, 636 em consultórios médicos e 377 em hospitais públicos credenciados à instituição. Cerca de 10% atendiam em ambos os setores. O estudo institucional da SBD contou com a consultoria da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz, do Instituto de Medicina Social da UERJ e do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás. Créditos: Sociedade Brasileira de Dermatologia www.sbd.org.br - Tel: (21) 2253-6747
Para baixar o Censo Dermatológico em PDF direto do site da SBD, clique aqui
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